| Este ensaio argumenta que o auge recente das economias latinoamericanas é explicado pela coincidência de dois fatores externos que não ocorriam simultaneamente desde os anos 1970: bons preços de matérias-primas (de hidrocarbonetos e produtos minerais, mais que agrícolas) e condições de financiamento externo excepcionais. Neste último caso, a característica que se destaca é a entrada maciça de capital durante dois períodos de "exuberância" nos mercados financeiros internacionais (entre meados de 2004 e abril de 2006, e entre meados de 2006 e meados de 2007), particularmente no segundo. Assinala, também, a importância de generalizar e consolidar as duas grandes inovações da política macroeconômica latino-americana dos últimos anos, que se complementam entre si: o manejo fiscal anticíclico (concentrado ainda em poucos países) e a intervenção ativa nos mercados cambiais. Esta última deve evoluir para reconhecer que a taxa de câmbio real deve ser um objetivo explícito da política macroeconômica. |