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Panorama da inserção internacional da América Latina e Caribe 2010-2011. A região na década das economias emergentes (Síntese)
- 2011
- Signatura:2011-522
- 29 pp.
- Informes anuales
Resumen
Em meados de 2011, as condições das economias industrializadas pioram. No início do ano, a instabilidade no norte da África, somada a outros fatores, provocou um aumento dos preços dos combustíveis. Em março, a tragédia no Japão ?o terremoto, o tsunami e a catástrofe nuclear? afetou as cadeias de suprimento global na indústria. Iniciado o segundo semestre, enquanto o efeito destes fatores se atenuava, as inquietudes se reavivaram pelos temores de inadimplência (default) da Grécia, da Irlanda e de Portugal e as repercussões em outras economias europeias de maior tamanho. No final de julho, as enormes dificuldades para chegar a um acordo legislativo sobre o limite da dívida pública nos Estados Unidos agregaram uma nova dose de incerteza e de volatilidade nos mercados financeiros. O rebaixamento na classificação da dívida soberana dos Estados Unidos, fato inédito na história, e as débeis taxas de crescimento econômico acentuaram a incerteza já presente.
Os níveis de volatilidade e de incerteza retornam a patamares preocupantes. Após o acordo no Congresso estadunidense sobre o limite da dívida pública e o segundo conjunto de medidas de apoio à Grécia por parte da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma acentuada volatilidade apropriou-se das principais bolsas de valores, havendo quedas similares às ocorridas em importantes crises financeiras anteriores. Outra causa da volatilidade se relaciona com a estagnação econômica da zona do euro no segundo trimestre de 2011, inclusive em suas principais economias (Alemanha e França). Isso está repercutindo nos preços internacionais dos produtos básicos, que mostram importantes reduções em prazos curtos, embora ainda continuem em níveis superiores à sua tendência de longo prazo, particularmente em minerais e metais.
Os indicadores líderes compostos mostram que a desaceleração nos países industrializados está começando a afetar as principais economias emergentes. As cifras de meados de 2011 mostram que a desaceleração dos países industrializados tenderá a afetar a China e, particularmente, a Índia e o Brasil. Na medida em que estas tendências persistam, poderia esperar-se para 2012 um menor ritmo de incremento das exportações para a Europa e os Estados Unidos, de modo que as economias com maior orientação exportadora em direção a esses mercados veriam o dinamismo de suas vendas externas ser afetado. Da mesma forma, um menor ritmo de crescimento nas economias emergentes, somado ao cenário de debilitação nas economias centrais, seria refletido em menores preços internacionais dos produtos básicos, o que afetaria os saldos comerciais e da conta corrente dos países que os exportam.
Prevê-se um cenário de lento crescimento para as economias industrializadas nos próximos anos. Isto significa que haverá um período de crescimento inferior ao potencial, elevadas taxas de desemprego e ameaças financeiras latentes, pois se estará tratando com equilíbrios muito instáveis, em um contexto de mercados financeiros alterados. A incapacidade da direção política em coordenar saídas fiáveis e sustentáveis para os dilemas fiscais e de dívida soberana agrega um componente adicional de incerteza. A complexidade do ajuste fiscal recém iniciado na Europa e nos Estados Unidos requererá um prolongado processo de consolidação fiscal, que dificilmente poderá ser abordado sem um amplo apoio político de vários governos.
Tal cenário limita o espaço político para acordos substantivos em torno à governança do processo de globalização. Um ambiente de turbulências econômicas e desemprego elevado nas economias industrializadas resulta propício para tentações protecionistas e, por outro lado, reduz o espaço para iniciativas relevantes em torno dos principais desafios suscitados pela globalização. Por exemplo, a Rodada de Doha não conseguiu estabelecer os acordos mínimos que permitem concluí-la, depois de dez anos de infrutíferas negociações. Os anúncios iniciais do Grupo dos Vinte (G-20) sobre a reforma do sistema financeiro internacional parecem haver desaparecido de sua agenda. As sucessivas cúpulas sobre mudança do clima tampouco dão mostras de poder abordar o tema com a urgência requerida. O crescente peso das economias emergentes nas principais variáveis da economia global, por sua vez, tende a refletirse em temores e atitudes defensivas por parte das economias industrializadas.
Contudo, a década de 2010 pode ser ainda um período de auge das economias emergentes. Os motores da economia mundial dependerão cada vez mais do dinamismo das economias emergentes e do comércio e dos investimentos Sul-Sul. A consolidação de taxas de crescimento elevadas e estáveis nestas economias e a desaceleração de seu crescimento demográfico elevarão sua renda per capita e acelerarão a convergência de renda com as economias industrializadas, particularmente no caso das capas medias das economias emergentes.
Esta tendência não está isenta de riscos. Os anúncios da Reserva Federal dos Estados Unidos em torno a um terceiro pacote de medidas de relaxamento quantitativo e de taxa de juros próxima a zero para os próximos dois anos acentuarão a liquidez do dólar nos mercados financeiros, em um contexto de acentuada debilidade das economias industrializadas. Isso significa que as divergências de ciclos monetários entre os países industrializados e os emergentes tenderão a acentuar-se, o que levará a pressões adicionais para a revalorização das moedas destes últimos. Em ausência de iniciativas efetivas de coordenação cambial entre as principais economias, pode ser difícil, em várias economias emergentes, evitar medidas comerciais destinadas a defender-se desta desvantagem em termos de competitividade originada em ineficiências do sistema monetário internacional.
O ano de 2012 se descortina como uma etapa de grande incerteza e, em consequência, a principal mensagem para as economias da região é agir com prudência no plano macroeconômico. A volatilidade financeira está afetando as economias regionais com maior profundidade financeira e bursátil; a desaceleração na Europa e nos Estados Unidos limitará a expansão das exportações e afetará seus preços, e as novas medidas de relaxamento monetário nesse país poderiam acentuar as pressões para a revalorização das moedas dos países que já registram consideráveis entradas de capital. Neste sentido, as economias da América Latina e do Caribe deveriam aumentar a cautela em sua gestão macroeconômica, vigiando a sustentabilidade de suas contas fiscais e externas, fortalecendo as medidas de precaução no âmbito macroeconômico e regendo-se em forma permanente pelo comportamento das principais variáveis econômicas.
A gestão macroeconômica prudente deve ser complementada com maior dedicação a tarefas de cooperação regional. Um maior compromisso com a integração e a cooperação regional, incluindo um maior apoio ao comércio intrarregional, permitiria amortecer os impactos de uma eventual piora do cenário internacional e preservar os resultados macroeconômicos e sociais alcançados, pelos progressos na conformação de um mercado regional ampliado. Neste sentido, existe um amplo espaço para iniciativas de facilitação do comércio e de maior cooperação em infraestrutura física, transporte, logística, normas alfandegárias, inovação e tecnologia. Estas iniciativas abririam não só um campo interessante para as exportações de pequenas e médias empresas, mais intensivas em manufaturas, mas também reforçariam a atratividade da região como sócio comercial e destino do investimento estrangeiro direto (IED).
Os níveis de volatilidade e de incerteza retornam a patamares preocupantes. Após o acordo no Congresso estadunidense sobre o limite da dívida pública e o segundo conjunto de medidas de apoio à Grécia por parte da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma acentuada volatilidade apropriou-se das principais bolsas de valores, havendo quedas similares às ocorridas em importantes crises financeiras anteriores. Outra causa da volatilidade se relaciona com a estagnação econômica da zona do euro no segundo trimestre de 2011, inclusive em suas principais economias (Alemanha e França). Isso está repercutindo nos preços internacionais dos produtos básicos, que mostram importantes reduções em prazos curtos, embora ainda continuem em níveis superiores à sua tendência de longo prazo, particularmente em minerais e metais.
Os indicadores líderes compostos mostram que a desaceleração nos países industrializados está começando a afetar as principais economias emergentes. As cifras de meados de 2011 mostram que a desaceleração dos países industrializados tenderá a afetar a China e, particularmente, a Índia e o Brasil. Na medida em que estas tendências persistam, poderia esperar-se para 2012 um menor ritmo de incremento das exportações para a Europa e os Estados Unidos, de modo que as economias com maior orientação exportadora em direção a esses mercados veriam o dinamismo de suas vendas externas ser afetado. Da mesma forma, um menor ritmo de crescimento nas economias emergentes, somado ao cenário de debilitação nas economias centrais, seria refletido em menores preços internacionais dos produtos básicos, o que afetaria os saldos comerciais e da conta corrente dos países que os exportam.
Prevê-se um cenário de lento crescimento para as economias industrializadas nos próximos anos. Isto significa que haverá um período de crescimento inferior ao potencial, elevadas taxas de desemprego e ameaças financeiras latentes, pois se estará tratando com equilíbrios muito instáveis, em um contexto de mercados financeiros alterados. A incapacidade da direção política em coordenar saídas fiáveis e sustentáveis para os dilemas fiscais e de dívida soberana agrega um componente adicional de incerteza. A complexidade do ajuste fiscal recém iniciado na Europa e nos Estados Unidos requererá um prolongado processo de consolidação fiscal, que dificilmente poderá ser abordado sem um amplo apoio político de vários governos.
Tal cenário limita o espaço político para acordos substantivos em torno à governança do processo de globalização. Um ambiente de turbulências econômicas e desemprego elevado nas economias industrializadas resulta propício para tentações protecionistas e, por outro lado, reduz o espaço para iniciativas relevantes em torno dos principais desafios suscitados pela globalização. Por exemplo, a Rodada de Doha não conseguiu estabelecer os acordos mínimos que permitem concluí-la, depois de dez anos de infrutíferas negociações. Os anúncios iniciais do Grupo dos Vinte (G-20) sobre a reforma do sistema financeiro internacional parecem haver desaparecido de sua agenda. As sucessivas cúpulas sobre mudança do clima tampouco dão mostras de poder abordar o tema com a urgência requerida. O crescente peso das economias emergentes nas principais variáveis da economia global, por sua vez, tende a refletirse em temores e atitudes defensivas por parte das economias industrializadas.
Contudo, a década de 2010 pode ser ainda um período de auge das economias emergentes. Os motores da economia mundial dependerão cada vez mais do dinamismo das economias emergentes e do comércio e dos investimentos Sul-Sul. A consolidação de taxas de crescimento elevadas e estáveis nestas economias e a desaceleração de seu crescimento demográfico elevarão sua renda per capita e acelerarão a convergência de renda com as economias industrializadas, particularmente no caso das capas medias das economias emergentes.
Esta tendência não está isenta de riscos. Os anúncios da Reserva Federal dos Estados Unidos em torno a um terceiro pacote de medidas de relaxamento quantitativo e de taxa de juros próxima a zero para os próximos dois anos acentuarão a liquidez do dólar nos mercados financeiros, em um contexto de acentuada debilidade das economias industrializadas. Isso significa que as divergências de ciclos monetários entre os países industrializados e os emergentes tenderão a acentuar-se, o que levará a pressões adicionais para a revalorização das moedas destes últimos. Em ausência de iniciativas efetivas de coordenação cambial entre as principais economias, pode ser difícil, em várias economias emergentes, evitar medidas comerciais destinadas a defender-se desta desvantagem em termos de competitividade originada em ineficiências do sistema monetário internacional.
O ano de 2012 se descortina como uma etapa de grande incerteza e, em consequência, a principal mensagem para as economias da região é agir com prudência no plano macroeconômico. A volatilidade financeira está afetando as economias regionais com maior profundidade financeira e bursátil; a desaceleração na Europa e nos Estados Unidos limitará a expansão das exportações e afetará seus preços, e as novas medidas de relaxamento monetário nesse país poderiam acentuar as pressões para a revalorização das moedas dos países que já registram consideráveis entradas de capital. Neste sentido, as economias da América Latina e do Caribe deveriam aumentar a cautela em sua gestão macroeconômica, vigiando a sustentabilidade de suas contas fiscais e externas, fortalecendo as medidas de precaução no âmbito macroeconômico e regendo-se em forma permanente pelo comportamento das principais variáveis econômicas.
A gestão macroeconômica prudente deve ser complementada com maior dedicação a tarefas de cooperação regional. Um maior compromisso com a integração e a cooperação regional, incluindo um maior apoio ao comércio intrarregional, permitiria amortecer os impactos de uma eventual piora do cenário internacional e preservar os resultados macroeconômicos e sociais alcançados, pelos progressos na conformação de um mercado regional ampliado. Neste sentido, existe um amplo espaço para iniciativas de facilitação do comércio e de maior cooperação em infraestrutura física, transporte, logística, normas alfandegárias, inovação e tecnologia. Estas iniciativas abririam não só um campo interessante para as exportações de pequenas e médias empresas, mais intensivas em manufaturas, mas também reforçariam a atratividade da região como sócio comercial e destino do investimento estrangeiro direto (IED).
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