CEPAL
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  • Balanço preliminar das economias da América Latina e do Caribe 2011

  • Divisão de Desenvolvimento Econômico, CEPAL
  • 2011
  • Signatura:Documento Informativo
  • 64 pp.
  • Informes anuales
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Resumen

Depois do forte crescimento que a economia da América Latina e Caribe alcançou em 2010, superando o impacto da crise econômica e financeira de 2008-2009, a CEPAL estima que em 2011 a região tenha crescido novamente, porém a uma taxa menor (4,3%), o que implica uma melhora de 3,2% do PIB per capita. Para isso contribuíram principalmente dois fatores, a saber, o debilitamento da recuperação da economia mundial e o esfriamento da demanda interna no Brasil, a maior economia da região, propugnado pelas autoridades para evitar um sobreaquecimento, devido ao forte crescimento de 2010.

Mesmo assim, na primeira parte do ano o ambiente externo continuou relativamente favorável para a região, o que se expressou em uma elevada demanda de seus principais produtos de exportação, melhoras nos termos de troca e acesso aos mercados financeiros internacionais em condições favoráveis. Neste contexto, vários países puderam melhorar seu desempenho em relação a 2010, entre eles alguns países exportadores de petróleo, que se viram beneficiados por altos preços internacionais e vários países centro-americanos e do Caribe que foram favorecidos por um aumento das exportações aos Estados Unidos e das remessas enviadas pelos trabalhadores emigrados. Em conjunto, os países sul-americanos cresceram 4,6%, um pouco mais que os centro-americanos (4,1%), enquanto a expansão no Caribe foi de apenas 0,7%, devido principalmente à contração de Trinidad e Tobago, maior economia da sub-região.

Na primeira parte do ano, a política macroeconômica enfrentou vários desafios relacionados, em parte, com a evolução dos mercados internacionais. Os países reagiram a estes desafios de diferente maneira, segundo suas características estruturais, a gravidade do impacto que sofreram, os instrumentos disponíveis e suas prioridades políticas. Assim, as expectativas otimistas quanto à evolução da economia regional e os diferenciais das taxas de juros em relação às prevalecentes nos mercados financeiros globais estimularam entradas de capital que contribuíram para manter os processos de apreciação real das moedas da região. Em alguns casos, estes diferenciais de taxas aumentaram graças às políticas monetárias aplicadas para conter o impacto inflacionário do incremento dos preços internacionais, sobretudo de alimentos e combustíveis. Neste contexto alguns países também reduziram o estímulo fiscal, tratando de, ao mesmo tempo, recuperar o espaço fiscal que se havia contraído pelas medidas implementadas para enfrentar a crise de 2008-2009. No entanto, na média regional, o resultado global dos governos centrais melhorou 0,4 pontos percentuais, devido especialmente aos aumentos das receitas fiscais. Por outro lado, frente às tendências de desaceleração, tanto da economia mundial quanto da regional, durante do ano as preocupações de manter um adequado ritmo de crescimento se tornaram cada vez mais prioritárias para as políticas econômicas, em especial dadas a deterioração da situação e as perspectivas da zona do euro.

No total do ano, em nível regional, se desacelerou o crescimento de todos os componentes da demanda agregada, após a recuperação ocorrida em 2010, em relação aos níveis baixos observados por causa da crise financeira mundial. Não obstante, o consumo das famílias continuou crescendo a taxas superiores à do PIB. Isto foi possível por uma dinâmica geração de emprego que reduziu a taxa de desemprego regional de 7,3% para 6,8% e por aumentos dos salários reais. Além disso, o crédito continuou expandindo-se a taxas elevadas. A disponibilidade de crédito a taxas, que em muitos países caíram em termos reais, também propiciou um novo incremento da formação bruta de capital fixo, com o que o coeficiente de investimento alcançou um novo máximo para as últimas décadas, embora seu nível não tenha sido suficiente para sustentar as taxas de crescimento econômico requeridas para satisfazer as múltiplas necessidades de desenvolvimento econômico e social da região. A expansão das importações refletiu o dinamismo da forte demanda interna, enquanto o aumento das exportações obedeceu mais aos altos preços do que a um incremento do volume das vendas externas. Neste contexto, o déficit da conta corrente do balanço de pagamentos registrou um aumento moderado, ao alcançar 1,4% do PIB. Este déficit foi financiado, com sobras, por um elevado fluxo de investimento estrangeiro direto e, em menor medida, por investimento de carteira, o que permitiu novos aumentos das reservas monetárias internacionais.

Devido, principalmente, aos altos preços internacionais de alimentos e combustíveis, na primeira parte do ano a inflação aumentou, porém mais tarde começou a ceder e terminou em uma cifra próxima a 7%, apenas ligeiramente superior à de 2010.

Na segunda metade do ano, a desaceleração do crescimento regional se aprofundou. Para isso contribuíram as menores taxas de crescimento das exportações, uma queda dos preços dos principais produtos básicos de exportação da região —que, no entanto, se mantiveram em níveis historicamente elevados— e um esfriamento da demanda interna. Especialmente no último trimestre do ano, pioraram as expectativas sobre a evolução da economia regional, ante a crescente incerteza a respeito do futuro da economia mundial causada por dúvidas quanto ao alcance de uma solução sustentável da crise da dívida de vários países da zona do euro e a conseguinte volatilidade nos mercados internacionais.

Este cenário é o que determina as projeções para a economia da América Latina e Caribe em 2012. Com efeito, se prevê um baixo crescimento da economia mundial, com o que persistiriam os mencionados processos de desaceleração da economia regional e a taxa de crescimento econômico diminuiria novamente, ainda que de maneira moderada, a 3,7%. Contudo, não se pode descartar um cenário mais desfavorável, no qual uma crise profunda da zona do euro incidiria negativamente nos mercados mundiais, o que afetaria, tanto pelos canais reais como pelos financeiros, as perspectivas econômicas da região. Neste contexto de elevada incerteza e ante a possibilidade de mudanças bruscas no ambiente externo, os países da América Latina e do Caribe devem estar preparados para adotar medidas apropriadas, segundo suas realidades nacionais, com o fim de defender e fortalecer as bases de seu desenvolvimento econômico e social. Para isso a região conta com fortalezas, como elevadas reservas monetárias internacionais e —com exceção de vários países do Caribe— um baixo endividamento público e externo. Entretanto, o espaço para alguns dos instrumentos contracíclicos é menor que o existente antes da crise de 2008-2009 e hoje, alguns fatores externos, que naquele momento possibilitaram uma pronta recuperação da economia global, especialmente a aplicação coordenada de medidas fiscais e monetárias dos países desenvolvidos, encontram-se debilitados.

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