(21 de agosto de 2006) A definição e o alcance da política industrial do Brasil são objetos de debate, pois existem atualmente diferentes posições a respeito dos seus fundamentos teóricos. Suas fortalezas e debilidades são analisadas no artigo Política Industrial e Desenvolvimento, de Wilson Suzigan e João Furtado, publicado na Revista da CEPAL N° 89.
Depois de analisar algumas experiências satisfatórias da política industrial e de desenvolvimento econômico do Brasil até o fim da década de 70 e das tentativas frustradas da década de 80, os autores avaliam a política industrial do período 2003-2006. Embora reconheçam aspectos positivos como o de inovação, metas claras e uma nova organização institucional, os autores destacam algumas debilidades como a incompatibilidade com a política macroeconômica, incoerência entre instrumentos econômicos, deficiência na infra-estrutura e no sistema de ciência, tecnologia e inovação.
Suzigan e Furtado ressaltam que a política industrial é "essencialmente um mecanismo de coordenação de ações estratégicas do governo e das empresas voltado para o desenvolvimento de atividades indutoras de mudanças tecnológicas ou para a solução de problemas identificados pelo setor produtivo da economia".
Com relação ao passado, os autores ressaltam que há grandes diferenças, pois durante meio século as políticas industrial e de crescimento do Brasil eram integradas e tiveram grande sucesso. Elas produziram um sistema industrial diversificado e integrado e foram responsáveis pelos elevados índices de crescimento do PIB, do salário e do emprego. Apesar disso, em algum momento essas políticas perderam seu alcance e é o que se busca restabelecer com a atual Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE).
Os setores nos quais se concentram a política industrial refletem uma mudança em direção a objetivos mais contemporâneos como os de bens de capital, software e semicondutores, que são transversais entre si e afetam a indútria e a economia em geral. Por isso, os autores argumentam que a mudança de estratégia na política industrial voltada para a substituição das importações pela formação da capacidade interna de produção é saudável e promissora.
Apesar disso, para os autores, o principal problema que dificulta a aplicação da PITCE é a falta de articulação entre os mecanismos e instrumentos e de coordenação com seus beneficiários. Eles argumentam ainda que a atual política industrial beneficia os pequenos setores e não tem o poder de envolver outros setores econômicos, o que a impede de transformar-se efetivamente em política de desenvolvimento.