(14 de setembro, 2006) Nos últimos anos, a América Latina atingiu um forte dinamismo exportador e um melhor acesso aos mercados mundiais. Mas esses avanços em competitividade continuam limitados e o desempenho regional está muito abaixo do seu potencial, segundo um novo informe da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
O informe Panorama da inserção internacional da América Latina e do Caribe, 2005-2006, analisa as oportunidades de aumentar a competitividade em escala regional e dá como exemplo as experiências de sucesso da Austrália e Nova Zelândia, que podem ser de grande utilidade em matéria de inovação e de exportações baseadas em recursos naturais.
No ano de 2005, a América Latina teve 5,28 % da quota do mercado mundial de importações, uma cifra bem abaixo dos 10% do total que a região tinha há meio século atrás, porém levemente melhor que os 3,84% de 1990. Uma observação detida mostra que esse incremento deve ser atribuído, em alta proporção, ao México que, depois do Tratado de Livre Comercio da América do Norte (TLCAN) desenvolveu aceleradamente a indústria de montagem (eletrônica, automotriz, de confecções e calçados), orientada principalmente ao mercado norte americano.
Com relação ao restante dos paises, alguns recuperaram a participação no decênio de 90. Brasil e Chile foram os mais destacados, enquanto outros registraram um avanço bem moderado. Quando se analisa todo o período, desde 1948 até 2005, o Mercosul foi a sub-região mais prejudicada.
De acordo com a versão 2005-2006 do Informe Mundial de Competitividade (Global Competitiveness Report), do Fórum Econômico Mundial, todos os paises latino-americanos, com exceção do Chile, encontram-se abaixo da metade dos 117 paises comparados na perspectiva internacional.
De acordo com a CEPAL, a América Latina e o Caribe têm adiante um amplo campo por desenvolver, a fim de revitalizar suas exportações de recursos naturais com a incorporação de conhecimento, de inovação e de valor. Nesse sentido, as experiências da Austrália e da Nova Zelândia oferecem modelos de estratégias de sucesso.
Esses dois paises basearam o seu desenvolvimento nos recursos naturais, mas, ao contrário da América Latina, eles têm um alto ingresso per capta e um crescimento estável. A estratégia integrada de inserção internacional através de inovação e diversificação ocupa um lugar fundamental nesse sucesso. Inclui a criação de novas indústrias baseadas na produção do conhecimento, de um lado, e valor agregado em produtos e serviços, por outro. Esse fenômeno induz o setor privado a aumentar seus gastos em inovação e o setor público a apoiar o esforço com inversões e incentivos.
O conceito de inovação para esses governos é mais amplo que o de pesquisa e desenvolvimento. Abarca a adaptação tecnológica, assim como a investigação em produtos e processo, em novos modelos de negócios e novos modelos de marketing, sempre que estas medidas favoreçam a criação de novo valor ao mercado.
Para os paises latino-americanos, as experiências em inovação da Austrália e da Nova Zelândia apresentam modelos valiosos de nova institucionalidade e associatividade produtiva. De acordo com a CEPAL, o conhecimento dessas experiências pode ser de muita utilidade para a região, particularmente num momento em que várias das suas economias desfrutam de uma significativa onda de bonança em termos de intercâmbio, na qual se discute qual é o melhor uso que se pode dar a esses recursos transitórios.