(15 de março de 2005) O investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil aumentou em 80% 2004, superando os 18 bilhões de dólares, segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), divulgado hoje por José Luis Machinea, Secretário Executivo do órgão. O Brasil foi o maior receptor de IED na região.
O Brasil poderia estar diante de uma oportunidade única de consolidar um novo ciclo de investimentos de melhor qualidade, de acordo com a CEPAL. O país parece ter recuperado sua importância como receptor significativo de investimento no contexto das estratégias das empresas transnacionais, posição que tinha se deteriorado com a instabilidade macroeconômica entre 1999 e 2000. O Brasil é uma das economias com a maior presença de empresas transnacionais no mundo: 400 das 500 empresas que constam na lista da Fortune têm algum tipo de presença no país.
Em 2004 os principais setores de destino do IED foram a indústria alimentícia e de bebidas, em que se destacou a fusão entre a AmBev e a belga Interbrew, e o de telecomunicações, com a compra, pela Telmex, da empresa de telefonia fixa Embratel. No comércio varejista, a Wal-Mart (Estados Unidos) comprou a cadeia de supermercados Bompreço e no setor energético, a principal operação foi o aumento de capital realizado pela Endesa (Espanha) em uma de suas filiais.
O boom de investimentos dos anos 90 foi incentivado pela estabilização da economia, o programa de privatizações de empresas estatais, a eliminação de restrições ao capital estrangeiro e a criação do Mercosul, além de incentivos setoriais. Os investimentos mais recentes concentram-se na aquisição de empresas privadas. A principal motivação das empresas transnacionais parece ser a mesma nos dois casos: a busca de mercado.
Nos últimos anos o IED direcionado às manufaturas recuperou importância, revertendo parcialmente o viés anti-exportador. A contração do mercado interno entre 2001 e 2003 e as melhores condições competitivas resultantes da desvalorização estimularam as empresas a implementar estratégias de busca de eficiência para a conquista de terceiros mercados como complemento das tradicionais estratégias de busca de mercados locais. É o caso das indústrias automotiva e de eletrônica.
O Brasil converteu-se em um verdadeiro laboratório das mudanças ocorridas na indústria automotiva mundial. Importantes montadoras de automóveis, como a alemã Volkswagen, as norte-americanas General Motors e Ford e a francesa PSA Peugeot-Citröen construíram plantas modulares para o desenvolvimento de modelos novos e mais competitivos.
Em seu relatório, a CEPAL sustenta que o Brasil tem agora uma janela de oportunidade para captar novos tipos de IED e melhorar sua competitividade internacional. Recomenda políticas que contribuam para reduzir os fatores do chamado "custo Brasil": a carga tributária, a infra-estrutura deficiente e os problemas regulatórios. Além disso, propõe criar novas políticas para o investimento e consolidar um organismo de atração de investimentos que identifique as melhores oportunidades e avalie os impactos no contexto dos objetivos nacionais de desenvolvimento.
*** Gráfico. Brasil: ingresos de investimento estrangeiro direto 1980-2004 ***
O estudo está disponível em http://www.eclac.cl, em espanhol, inglês e em uma versão não oficial em português, junto com três notas à imprensa nesses idiomas e em francês. Para maiores informações, entre em contato com Michael Mortimore, Chefe da Unidade de Investimentos e Estratégias Empresariais da CEPAL, por meio do e-mail michael.mortimore cepal.org; ou do telefone (56-2) 210 2458. |