(08 de agosto de 2008) Os povos indígenas representam menos de 2% da população total da Argentina. Em geral vivem isolados e em situação de pobreza, prejudicando sua qualidade de vida e auto-estima.
No Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo o destaque é um projeto no qual as comunidades indígenas fizeram valer seus direitos e criaram a Rede de Comunicação Indígena. Este projeto valoriza sua identidade e sua cultura, estabelecendo pontes de comunicação com a população não indígena - o que permite modificar a visão, muitas vezes negativa e pejorativa, que se tem dos povos aborígines.
A Rede busca, por meio do rádio e da imprensa escrita, criar uma opinião pública favorável às expectativas e interesses indígenas, além de abrir canais de diálogo e fluxo de informação às comunidades e organizações étnicas e interétnicas em prol da participação.
Desta forma, resgatando a importância da palavra e a tradição oral própria destas culturas, legitima seu discurso e suas práticas, destacando seus problemas perante si e o restante da sociedade.
Graças às inovações conseguidas através da comunicação como mecanismo para o empoderamento, interconexão e diálogo dos indígenas da região, a Rede foi finalista, em 2006, no concurso "Experiências em Inovação Social", realizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), com apoio da Fundação W.K. Kellogg.
A Rede enfrentou com êxito as dificuldades de comunicação das comunidades indígenas - devido à geografia do território e às distâncias entre uma e outra - mediante a capacitação das pessoas das próprias comunidades, especialmente dos jovens, que organizaram as equipes técnicas de produção dos programas e atuam como correspondentes em cada uma delas.
Atualmente 50 pessoas entre 17 e 30 anos fazem parte deste trabalho: 30% são mulheres, contribuindo para o desenvolvimento de maior eqüidade de gênero nas comunidades indígenas. Os programas são oferecidos em toba e wichí (línguas indígenas mais conhecidas pelas comunidades) e espanhol. Seu lema é "dar voz aos sem voz". Eles conseguiram que os indígenas se reconhecessem com grande orgulho como tais, e que a população não indígena mudasse sua opinião sobre os povos aborígines.
O projeto conta com uma rede de 135 rádios participantes e 12 antenas que asseguram a cobertura e transmitem, gratuitamente, um programa semanal. Recentemente, a Rede firmou um convênio de colaboração com o FARCO (Foro Argentino de Radios Comunitarias), que permitirá ampliar a rede de antenas nas províncias atuais e em Misiones, Santiago del Estero e Tucumán.
É um modelo inovador que pode ser utilizado em outros países da Região para trabalhar tanto nas comunidades indígenas como em outras etnias específicas como, por exemplo, as dos afrodescendentes.
Para maiores informações sobre o Projeto Experiências em Inovação Social, clique aqui ou entre em contato com: anita.callejas cepal.org; telefone: 00 (562) 210-2387. |
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