(05 de junho de 2008) Este ano, o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no marco de uma agenda carregada de problemas que afetam os ecossistemas e a qualidade de vida dos habitantes do planeta, como a mudança climática e a crise dos alimentos. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu esta semana que sejam tomadas medidas "urgentes" para combater a crise mundial de alimentos, advertindo que "não podemos perder a batalha contra a fome".
O projeto brasileiro "Associação de Pequenos Agrossilvicultores do Projeto RECA - Reforestamento Econômico Consorciado e Adensado" é exemplo de uma iniciativa de desenvolvimento humano sustentável a nível local. A Associação uniu, como eles mesmos relatam, o espírito empreendedor dos colonos vindos do sul do país com a experiência de conservação local, conseguindo extrair os produtos da selva sem devastá-la e cuidando dela - que é uma fonte de renda muito importante. Os sócios, que hoje chegam a 364, saíram da pobreza na qual estavam imersos no início da década de noventa.
Em 2007 este projeto obteve o quarto lugar do concurso "Experiências em Inovação Social", desenvolvido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, CEPAL, com apoio da Fundação W.K. Kellogg.
O RECA tem sua origem em um assentamento do Instituto Nacional de Colonização Agrária (INCRA) na floresta amazônica, em Rodônia. Nas terras que o governo brasileiro entregou a colonos, em 1984, sem apoio técnico ou financeiro para cultivá-las, os membros da Associação introduziram uma nova maneira associativa, sustentável e orgânica de produzir, melhorando substancialmente as condições de vida dos pequenos agricultores da região. Vale ressaltar que a localização geográfica e as condições climáticas tornam qualquer cultivo muito difícil, especialmente quando se procura preservar o meio ambiente.
Produtores que há poucos anos mal sobreviviam contam, hoje, com rendas superiores ao salário mínimo. Diante das adversidades e do abandono das autoridades, os pequenos produtores se organizaram e, com os seringueiros da região, desenvolveram estratégias para melhorar suas rendas e condições de vida.
A Associação promove a implantação de sistemas agroflorestais, a recuperação de áreas deterioradas e a capacitação das comunidades. Com este modelo, atualmente produzem matérias primas para a indústria cosmética naturista, tais como a polpa e a manteiga de cupuaçu e de açaí; e alimentos que têm grande aceitação no mercado, como sucos concentrados e compotas. A produção é orgânica e tem certificação, o que agrega valor e abre nichos de mercado privilegiados.
O programa "Experiências em Inovação Social", realizado pela CEPAL, com apoio da Fundação W.K. Kellogg, foi aberto em 2004, e identifica programas inovadores de desenvolvimento social, para difundi-los e contribuir para a melhoria de práticas e políticas em benefício da população mais pobre da América Latina e do Caribe. Até hoje foram apresentados 4.400 projetos, e seu quarto ciclo está em pleno andamento.