(12 de setembro, 2006) Graças a uma importante melhora em termos de intercâmbio, o volume das exportações da América Latina deve continuar crescendo no biênio de 2006-2007, num ritmo similar ao de 2005, em torno de 7-8%, a taxa mais alta do mundo depois da China.
Assim projeta a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em seu informe Panorama da inserção internacional da América Latina e do Caribe, 2005-2006, dado a conhecer hoje. Segundo a CEPAL, em termos de valor (dólares correntes), as exportações e as importações da região devem aumentar em 20% e 17% em 2006, respectivamente.
O informe assinala que a manutenção do crescimento do comércio regional deve-se à favorável evolução que demonstra a economia mundial, que em 2006 cumprirá quatro anos de crescimento consecutivo acima de 4%, medido de acordo com o critério de Paridade de Poder Aquisitivo (PPA). Espera-se que este dinamismo se desacelere levemente em fins de 2006 e 2007, o que não alteraria significativamente o positivo cenário internacional.
As grandes economias emergentes, em especial as da China, Índia e Rússia têm sido as mais dinâmicas. De fato, China e Índia, somadas, contribuíram com um terço do crescimento do PIB mundial em 2005 - calculado sobre a base do PPA -, superando os Estados Unidos, a União Européia e o Japão juntos. Por isso, a CEPAL destaca que a dinâmica atual de crescimento da economia mundial oferece um panorama alentador para o desempenho comercial dos países da América Latina e do Caribe.
Apesar disso, existem alguns riscos no horizonte. O maior deles é o impacto da alta do preço do petróleo, em razão da crescente demanda mundial e das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os altos preços estão começando a impactar não apenas a inflação total de todos os paises, mas também fizeram com que os bancos centrais aumentassem sucessivamente suas taxas de juros, o que pode trazer como conseqüência um acesso menos fluido dos paises da região aos mercados financeiros internacionais.
Por outra parte, a economia chinesa não atingiu seus prognósticos de uma suave desaceleração e sua moeda continua ancorada no dólar. Esta situação mais a persistência dos altos preços do petróleo são as principais inquietações atuais da economia mundial.
Pode-se dizer, portanto, que o cenário mais provável não é de recessão, mas de uma moderada desaceleração da economia mundial, com uma correção gradual dos desequilíbrios que a estão afetando.
Nesse contexto, o comércio da América Latina e do Caribe continua aproveitando a persistente demanda internacional, sobretudo da China e o maior vigor das economias da Europa e do Japão. As exportações da América do Sul cresceram mais rápido que as do México e da América Central pelo fato de que a primeira se especializa mais em produtos básicos, cujos preços aumentaram de maneira sustentada.
De fato, o sucesso comercial da região em 2006 deve-se em grande parte a uma melhora em termos de intercâmbio (relação entre os preços das exportações e os preços das importações). Em 2005, as bases de intercâmbio da América Latina aumentaram cerca de 5%, superando os 5,3% registrados em 2004. Os paises exportadores de petróleo e cobre (Venezuela, Equador e Chile) registraram o maior aumento em 2005, enquanto os importadores de petróleo (América Central e Caribe inglês) sofreram um importante deterioro. Para 2006, a CEPAL projeta um aumento de 6% em termos de intercâmbio na região, graças à manutenção da demanda internacional por petróleo e minerais metálicos. Os paises mais favorecidos serão o Chile (aumento de cerca de 25%), Venezuela (22%), Peru (18%) e Bolívia (14%).
Outros fatores de risco são o incerto futuro da Rodada de Doha de negociações comerciais mundiais da Organização Mundial do Comércio (OMC), que ameaça com retomar os protecionismos e a gripe aviária, cujas conseqüências econômicas poderão ser graves, dado o temor da população de consumir aves. No continente americano o impacto pode ser importante, uma vez que se encontram nele os maiores exportadores mundiais de aves: Brasil e Estados Unidos.
Integração regional
De acordo com o informe da CEPAL, se bem a experiência recente da região mostre avanços no comércio intra-regional, a urgência de uma inserção internacional competitiva fez com que aparecesse no debate regional uma maior relevância das debilidades e insuficiências do processo de integração.
A combinação de múltiplos acordos comerciais bilaterais, plurilaterais e regionais poderia estar gerando discriminações entre os paises e os subgrupos regionais, dadas as diferenças que se observam nas coberturas, tipos de tratamentos e graus de profundidade dos compromissos. Por isso, torna-se urgente a adoção de medidas de convergência entre os acordos de distintas naturezas para evitar o desvio do comércio e o aumento do custo de transação do comércio intra-regional.
Apesar disso, a CEPAL recalca que a integração regional é necessária e urgente. A atual fase da globalização demanda alianças internacionais estratégicas nos planos da produção, logística, comercialização, inversão e tecnologia. Do mesmo modo, o salto competitivo da China, Índia e o resto da Ásia redefiniram drásticamente o mapa mundial de intercâmbio e as vantagens comparativas. Por isso, aceitando as diferenças de tamanho e orientações comerciais, é necessário preservar os ganhos do processo de integração, promovendo a convergência em temas comerciais e não comerciais.
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