(15 de março de 2005) O investimento estrangeiro direto (IED) aumentou em 44% na América Latina e no Caribe em 2004, chegando a 56,4 bilhões de dólares. Na América do Sul, o aumento foi de 48% (34,1 bilhões de dólares), enquanto no México e na Bacia do Caribe foi de 43% (22,3 bilhões de dólares). É a primeira vez desde 1999 que o IED aumenta na região.
No relatório sobre Investimento Estrangeiro na América Latina e no Caribe, 2004, apresentado hoje por José Luis Machinea, Secretário Executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), considera-se "muito positivo" esse sinal. Adverte-se, no entanto, que a região ainda não superou os problemas relacionados à atração de capital estrangeiro. Ainda é tarefa pendente a captação de IED que proporcione maiores benefícios aos países receptores.
A porcentagem de capital estrangeiro que é captada pela América Latina e o Caribe, em relação às demais regiões do mundo, tem diminuído de forma continuada nos últimos anos, o que reflete, segundo o relatório "claras fraquezas na concorrência pelos investimentos novos e de melhor qualidade (manufaturas de maior teor tecnológico, centros de pesquisa e desenvolvimento e novos serviços...)".
Os maiores aumentos nos fluxos de capital estrangeiro em 2004 ocorreram no Brasil (79%) e no Chile (73 %). O Brasil é o maior receptor, com mais de 18 bilhões de dólares em ingressos, seguido do México, com quase 17 bilhões de dólares. Os fluxos em direção à Argentina subiram em relação aos dois anos anteriores. Trinidad e Tobago, El Salvador e Colômbia também se beneficiaram de aumentos do IED, enquanto o Panamá e a Venezuela sofreram retrocessos.
Os Estados Unidos mantêm sua posição de principal investidor na região (32% dos fluxos), diante de uma redução dos investimentos europeus e especialmente dos espanhóis. Os investimentos de origem asiáticos ainda são poucos.
Seguindo a tendência mundial, entre 2002 e 2003 o setor de serviços captou a maior parte do IED (51%). Trata-se, no entanto, de serviços tradicionais e não daqueles com maior conteúdo tecnológico, cujo aumento seria desejável. As manufaturas absorveram 36% dos investimentos e o setor primário 13%.
A contribuição dos programas de privatização tem perdido relevância como fator de atração do capital estrangeiro, sendo substituída pela compra de ativos no setor privado. A presença de empresas transnacionais entre as maiores companhias que operam na América Latina e no Caribe diminuiu nos últimos anos. O relatório da CEPAL revela que esse espaço tem sido preenchido por empresas privadas locais que, ao expandir-se por outros países da América Latina, passam a ser conhecidas como empresas translatinas (Petrobras, Telmex, América Móvil, Cemex, Companhia Vale do Rio Doce, Femsa, Odebrecht, Grupo Carso).
A China surge como um importante rival pelos fluxos de capital estrangeiro antes destinados a alguns países da região. O país representa, para o México e a Bacia do Caribe, uma ameaça como concorrente por investimentos que buscam eficiência. Por outro lado, para a América do Sul a China pode representar uma oportunidade de ampliação dos mercados para as exportações de recursos naturais.
O estudo da CEPAL sustenta que o IED não proporciona automaticamente benefícios aos países receptores. Esses dependem das estratégias das empresas transnacionais sob as quais são realizados (busca de recursos naturais, busca de mercados locais, busca de eficiência para exportar e busca de ativos tecnológicos).
Por isso, o órgão regional da ONU recomenda aos países receptores que determinem com maior precisão o que esperam do IED e lhe atribuam um papel no âmbito de suas políticas nacionais de desenvolvimento produtivo. Diferentemente do que ocorre na Europa e na Ásia, na América Latina e no Caribe ainda existem poucas instituições eficientes que avaliem a política sobre o assunto para determinar se tem atingido seus objetivos.
Cuadro: Ingressos líquidos de IED na América Latina e no Caribe, por país, 1990-2004
Presentación de José Luis Machinea, Secretário Executivo da CEPAL (em espanhol)
O estudo está disponível em http://www.eclac.cl, em espanhol, inglês e em uma versão não oficial em português, junto com três notas à imprensa nesses idiomas e em francês. Para maiores informações, entre em contato com Michael Mortimore, Chefe da Unidade de Investimentos e Estratégias Empresariais da CEPAL, por meio do e-mail michael.mortimore cepal.org ou do telefone (56-2) 210 2458. |