(18 de dezembro de 2006) O diagnóstico sobre a atual fase de crescimento que atravessa a América Latina e o Caribe pode ser resumido em três palavras: "otimismo com cautela". Assim afirma a CEPAL no seu informe Balanço preliminar das economias da América Latina e do Caribe 2006, dado a conhecer na semana passada por seu Secretário Executivo, José Luis Machinea.
"Otimismo", porque a região não apenas está crescendo, como está melhor em comparação com sua história econômica recente. "Cautela", de um lado porque os resultados alcançados se apóiam em um cenário internacional muito favorável, mas que pode mudar num futuro próximo e, de outro lado, porque os países têm em frente importantes questões pendentes para poder assegurar a sustentabilidade do crescimento.
O período positivo que atravessa a região está permitindo uma recuperação do produto per capta que, depois de estar praticamente estancado durante 20 anos, acumulará entre 2003 e 2007 um crescimento da ordem de 16% (veja gráfico 1).
Este crescimento, em comparação com períodos similares, caracteriza-se por estar relativamente mais apoiado em investimentos que em consumo. Este último está crescendo menos que a renda, devido a um aumento da poupança dos países da região que, deste modo, está financiando o aumento dos investimentos.
Por outra parte, o aumento da receita pública, em muitos casos aproveitando os melhores preços dos produtos de exportação e um maior cuidado a respeito dos componentes do gasto fiscal, permite que os países mantenham suas contas públicas em ordem, gerando, inclusive, excedentes que são utilizados para diminuir os níveis de endividamento (veja gráfico 2).
Esse menor endividamento - somado às mudanças operadas nos perfis da dívida a favor de uma maior participação dos instrumentos expressados em moeda nacional, com taxas de juros fixa e maior prazo - contribui para diminuir a vulnerabilidade externa da região e se soma aos elementos positivos que caracterizam a presente conjuntura (veja gráfico 3).
A cautela, por outro lado, associa-se à maior incerteza vinculada com a evolução da economia mundial, tendo em conta a alta probabilidade de que se produza uma desaceleração do crescimento da economia norte-americana, que é a propulsora fundamental do nível da atividade econômica global.
Na medida em que seja gradual esse trânsito de uma menor taxa de crescimento - e existem razões para confiar que vai ser assim - pode-se esperar que o processo de crescimento por que atravessa a nossa região não será afetado significativamente, pelo menos em curto prazo. Isso se deve, de acordo com os fatores assinalados anteriormente, ao fato de que a região está mais bem preparada para enfrentar uma deterioração do cenário externo.
Entre as razões que justificam a cautela existem também elementos próprios da política interna dos países.
Em primeiro lugar, em alguns países a combinação de elevadas taxas de juros e tipos de cambio valorizado podem conspirar contra o crescimento. De outro lado, embora a taxa de investimento seja maior, ainda não é suficiente para sustentar um crescimento que permita aumentar a produtividade e gerar empregos em quantidade suficiente para diminuir o mais rapidamente possível a ainda elevada taxa de desemprego.
A redução da pobreza e a melhora da situação social da América Latina e do Caribe assim o exigem.
** Veja gráficos anexos a este comunicado **