(26 de junho de 2008) O relatório da Junta Internacional de Fiscalización de Estupefacientes (JIFE) calcula que 88% da cocaína que entra nos Estados Unidos passa pela América Central e que 40% da que ingressa na Europa chega pelo Caribe, transportada principalmente por águas caribenhas e do Pacífico, ou ao longo do corredor da América Central. Não há dúvidas de que a atuação cada vez maior de grupos delitivos nacionais e internacionais do narcotráfico debilitam o papel do Estado na Região.
Em El Salvador, Guatemala e Honduras essa situação se vê exacerbada pelas gangues juvenis, que controlam a venda de cloridrato de cocaína e crack nas ruas. A organização guatemalteca Associação Grupo Ceiba, com o programa "Prevenção do Fenômeno Droga e Gangue nas Áreas Marginalizadas Urbanas e Rurais", conseguiu reduzir o dano ocasionado pela exclusão socioeconômica na infância e juventude das áreas marginalizadas do país e região adjacente.
O programa, que obteve o terceiro lugar do ciclo 2004-2005 do concurso "Experiências em Inovação Social", realizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, CEPAL, com apoio da Fundação Kellogg, oferece uma proposta integral desenvolvida dentro dos próprios espaços comunitários, em áreas consideradas de alto risco, violentas e instáveis. Trabalham com pessoas da própria comunidade - casais jovens que sofreram o flagelo de serem despejados devido à vinculação com as gangues - e a exclusão social.
O Grupo Ceiba preencheu um vazio nas áreas marginalizadas da cidade de Guatemala. A desintegração familiar, um fenômeno muito comum nas periferias, deixa os jovens expostos a uma total falta de esperança e os torna presas fáceis das gangues. Estes grupos geram um sentimento de pertencimento e proteção nos jovens, função que antes cabia à família, porém conduzem ao tráfico, ao consumo de drogas, ao abandono do sistema de educação formal e à morte.
Esta é a realidade que o Grupo Ceiba busca reverter com os programas: Acompanhamento na Rua, Universidade da Rua, Educação Formal e Alternativa, e Empresa Educativa. Estas "propostas educativas são muito interesantes, humanitárias e, sobretudo, centradas no aluno e suas particularidades. Elas permitem que [os alunos] se insiram da melhor forma segundo suas habilidades", explica Marco Castillo, diretor executivo do Grupo Ceiba.
O testemunho de um jovem do Grupo Ceiba
Ceiba é uma casa de portas abertas que oferece um lugar para dormir, comida e educação alternativa aos que necessitam sem exigir nada em troca. Desta forma, converte-se numa verdadeira família, que consegue substituir as gangues, dando o apoio que faz falta aos jovens para alcançar um futuro mais promissor.
Assim viveu Cristián, um jovem que se formou no Ceiba: "Não conheci meu pai. Minha mãe emigrou para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades e fui criado por meus avós. Vivia na rua. Parei de estudar e tinha más companhias. Minha mãe foi para Los Angeles, nos Estados Unidos. Aprendi na rua coisas muito ruins. Encontrei refúgio na gangue. Íamos ao mercado roubar para comer. Foi a forma de viver por vários anos".
Muitos jovens como Cristián encontram no Ceiba a possibilidade de estudar e se especializar em áreas como informática, capacitação empresarial ou técnica com o programa de Empresa Educativa. Isto permite que se integrem na comunidade como adultos responsáveis, ganhem a vida e sigam adiante, além de dar um sentimento de valorização e orgulho.
"Aos 13 anos não estudava, ia ao Ceiba porque era um centro de portas abertas. Me convidaram para fazer coisas. Freqüentava o laboratório de informática e aprendia. Ficava ali todos os dias, o dia todo. Me especializei e comecei a ensinar há dois anos. Logo deixei de participar. Ceiba foi crescendo, e eu já estava na adolescência, tinha 16 anos. Me perguntava: o que vou fazer por mim? Voltei para o Ceiba. Estudei web design", explica. Hoje, aos 23 anos, Cristián trabalha como webmaster no escritório de uma agência de cooperação internacional na cidade de Guatemala.
Para maiores informações sobre o projeto Experiências em Inovação Social, clique aqui ou envie e-mail para: anita.callejas cepal.org; telefones: (562) 210-2387. |