(15 de março de 2005) Os investimentos necessários para resolver os problemas de escassez de energia elétrica nos países do Cone Sul chegam a 20 bilhões de dólares para o período 2004-2008, segundo o relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que destina um capítulo aos mercados de energia. O investimento estrangeiro direto (IED) será essencial para atingir essa meta.
Apesar dos 77 bilhões de dólares investidos nos setores de gás e eletricidade nos anos 90, o IED no setor energético no Cone Sul não cumpriu as expectativas em termos do aumento da capacidade de geração. Com as mudanças introduzidas no marco regulatório e a entrada de operadores estrangeiros esperava-se uma melhoria automática em termos da capacidade do sistema, mas isso não ocorreu.
O estudo da CEPAL revela que três quartos desses investimentos foram utilizados para adquirir ativos existentes, e apenas um quarto para novos investimentos ou melhorias. A nova capacidade incorporada para satisfazer a crescente demanda por energia elétrica foi insuficiente. Continua sendo necessário ampliar a capacidade de geração e de transmissão no setor elétrico, aumentar as reservas de petróleo e gás e construir gasodutos.
O investimento insuficiente no Cone Sul foi resultado de decisões de empresas transnacionais no contexto de dificuldades regulatórias, macroeconômicas e climáticas. Entre essas estão os desequilíbrios macroeconômicos da Argentina e do Brasil que levaram a drásticas desvalorizações, dificultando a fixação de tarifas realistas para os serviços públicos; a seca no Chile (1998) e no Brasil (2001); e os gargalos no fornecimento (incapacidade da Argentina de cumprir as obrigações contratuais de abastecimento de gás destinado à geração elétrica no Chile em 2004).
A crise de eletricidade no Cone Sul, aliada a fatores externos, levou a uma reconfiguração das empresas do setor. As transnacionais norte-americanas perderam espaço e as européias se consolidaram como os atores de maior importância nessa atividade. Por sua vez, as empresas de petróleo e gás (Petrobras, Repsol-YPF e Total) viram uma oportunidade e agora são as que estão melhor posicionadas para investir e integrar-se na cadeia gás natural-eletricidade.
Segundo o relatório da CEPAL, "o desafio está em promover o investimento necessário na expansão de capacidade por meio de um arcabouço regulatório melhorado que ao mesmo tempo respeite as prioridades nacionais e permita o cumprimento de objetivos corporativos", sustenta o relatório. Contribuiria para tanto uma estratégia integrada de geração elétrica para o Cone Sul, que aproveitasse as sinergias e as economias de escala e diversificasse o risco de modo a garantir fornecimento estável a longo prazo. O estudo da CEPAL recomenda que os governos promovam IED que permita articular as redes de eletricidade e gás em uma iniciativa subregional baseada na harmonização dos marcos regulatórios.
Ver cuadro adjunto: Cone Sul: integração das cadeias energéticas das empresas transnacionais, 2004