(7 de março de 2008) Sob o lema "Investir nas mulheres e meninas", o Dia Internacional da Mulher 2008 incentiva a fechar a brecha da desigualdade de gênero e melhorar a vida das mulheres de hoje e de amanhã.
O Circo de Todo Mundo, de Belo Horizonte, apresenta um modelo simples, de fácil implantação e participação comunitária, atendimento direto e incidência em política pública para erradicar o trabalho infantil, apóia adolescentes que trabalham fora como domésticas, investindo na promoção da eqüidade. Foi premiado em 2007 no concurso "Experiências em Inovação Social" da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Fundação W.K. Kellogg com o quinto lugar entre cerca de 900 inscrições.
O Centro Cultural Circo de Todo Mundo tem sido o espaço onde centenas de jovens, mulheres e homens resgatam - por meio do malabarismo, da maquilagem e das artes cênicas - a infância, a auto-estima e a perspectiva de construir um novo projeto de vida.
Em conjunto com uma rede de instituições públicas e privadas, o Circo gera uma renda que permite que as famílias pobres tirem suas filhas do trabalho. O retorno de mais de 200 meninas ao sistema de educação formal é uma mostra dos resultados deste projeto. Para Maria Eneide Teixeira, coordenadora-geral desta ONG há 17 anos, "esta garantia do direito à educação abre uma nova perspectiva de vida às jovens no serviço doméstico remunerado".
Só no Brasil, meio milhão de jovens entre 5 e 17 anos trabalham no serviço doméstico: mais de 90% são do sexo feminino; 61%, afro-descendentes; e 45% têm menos de 16 anos (idade mínima permitida pela lei).
O trabalho doméstico infantil e juvenil afeta sobretudo mulheres pobres. Segundo a CEPAL em seu documento A contribuição das mulheres para a igualdade na América Latina e no Caribe a percepção da sociedade é "cuidar é coisa de mulheres e servir é assunto de mulheres pobres".
O trabalho doméstico expõe a trabalhadora a um muro de exclusões formado por: deserção escolar, baixos salários, extensas jornadas de trabalho, impactos negativos na saúde e riscos de maus-tratos e abuso sexual.
Estas trabalhadoras estão ocultas dentro das casas, longe de suas famílias e sem oportunidades de estudar ou brincar. Constituem "um exército invisível de mão-de-obra sujeito a todo tipo de exploração, poucas vezes questionado, por ser uma alternativa supostamente saudável para solucionar a situação de miséria em que vivem", diz Teixeira.
As meninas e moças da América Latina e do Caribe necessitam de proteção, não de patroas, para garantir seus direitos à infância e à educação. Mas há avanços.
"Eu estava na escola quando fui descoberta pelo Circo", conta uma menina que trabalhava em casa de família como babá desde os 11 anos. "Eles (O Circo) me deram uma bolsa para que eu parasse de trabalhar e só fosse à escola e ao Circo. Fiz cursos de português, informática e artesanato". Hoje ela trabalha na Assembléia Legislativa do estado de Minas Gerais.
Ver resenha e fotos e vídeos do projeto Circo de Todo Mundo. Circo de Todo Mundo - contato: Néllie Vaz Branco; e-mail: comunicacao circodetodomundo.org.br ; Tel: (55-31) 3461-2763 (Belo Horizonte, MG) Maiores informações sobre o projeto CEPAL/Kellogg "Experiências em Inovação Social", clicando aqui ou pelo e-mail: lezak.shallat cepal.org ; telefones: (00562) 210-2060/2451/2263. |