BRASIL: UMA DÉCADA EM TRANSIÇÃO

Renato Baumann, Organizador

Este livro foi publicado pela Editora Campus, e está a venda nas principais livrarias do Brasil ou na própria Editora: (Telefone: 0800-265340) ou http://www.campus.com.br/
Havendo problema com relação à aquisição, entrar em contato com o Escritório da CEPAL em Brasília por correio eletrônico : pgraziani@cepal.org.br
SUMÁRIO
 

I. O Brasil nos anos 1990: Uma economia em transição (Renato Baumann)

II. Aspectos macro e microeconômicos das reformas (Rubens Penha Cysne)

III. As políticas sociais nos anos 90 (Sônia Draibe)

IV. Formação do capital no ambiente das reformas econômicas brasileiras dos anos 1990: uma abordagem setorial (Ricardo Bielschowsky ,Marcos Abicalil, José C. de Oliveira, Sebastião Soares, Marcio Wohlers)

V. Mudanças institucionais e tecnologia: impactos da liberalização sobre o sistema nacional de inovações (Paulo B. Tigre, José E. Cassiolato, Marina de S. Szapiro, João Carlos Ferraz)

VI. Mudanças estruturais na agricultura brasileira, 1980-1998 (Guilherme S.Dias, Cicely Amaral)

VII. Emprego e produtividade no Brasil na década de 1990(José M. Camargo, Marcelo Neri, Maurício Cortez Reis)

VIII. Efeitos distributivos das reformas estruturais no Brasil (Marcelo Neri, José M. Camargo)


RESUMO

A CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe coordenou um projeto sobre Crescimento, Emprego e Eqüidade na América Latina nos anos 90, envolvendo a análise das experiências de reformas adotadas em nove países da região nesse período, e buscando sistematizar o conhecimento a esse respeito, identificar os traços comuns entre essas experiências e sugerir medidas de política.

Esse projeto cobriu cinco áreas temáticas: reformas macroeconômicas e sociais, processos de investimento e crescimento, estrutura de progresso técnico e sistemas nacionais de inovação, geração de emprego e distribuição de renda. Este livro sintetiza os principais resultados dos estudos feitos para o Brasil.

Um processo de reforma de políticas econômicas requer continuidade, sob pena de reversão e elevados custos sociais. Uma revisão geral dos resultados obtidos e dos aspectos que ainda demandam modificações sugere que o processo de reformas no Brasil dos anos 90 não seguiu necessariamente a sequência indicada na literatura sobre reformas, ilustrando a necessidade de se contar com melhor programação dessas reformas.

No que se refere aos gastos sociais, a análise mostra um esforço intenso de mudança na lógica dos gastos sociais, com ênfase crescente na descentralização desses gastos.

No tocante à formação de capital, são mostradas indicações de que a economia brasileira tem passado por um processo de modernização, mas que isso não tem-se refletido em ampliação da capacidade produtiva.

Associadas a esse processo, modificações de ordem administrativa e disponibilidade de recursos têm implicado mudanças na capacidade de resposta e de articulação entre o sistema nacional de inovações e o parque produtivo nacional.

O setor agrícola foi fortemente afetado nos anos 90 pela redução de linhas de crédito e pelo processo de abertura da economia. Esses fatores – associados à estabilização de preços – levaram a uma alteração gradual da estrutura produtiva do setor, com notáveis aumentos de produtividade, mas forte queda no nível de absorção de mão-de-obra.

A questão da geração insuficiente de emprego é uma característica (não exclusiva brasileira) dos anos 90. No Brasil, esse período é caracterizado por alterações expressivas na composição do mercado de trabalho, em termos de qualidade do tipo de emprego gerado e exigências de qualificação dos trabalhadores.

Esse novo contexto tem implicações diretas para a distribuição de renda. No caso do Brasil dos anos 90, mostra-se que a estabilização de preços e sobretudo diversos mecanismos de transferência de renda afetaram positivamente os indivíduos de mais baixa renda, mas não houve melhora na estrutura distributiva, que permaneceu altamente regressiva.